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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Texto Inicial

Decidi criar este blog para tentar organizar alguns postings sobre assuntos que eu tenho compartilhado na internet, seja por meio de noticias coletadas e arquivadas, mas que todos deveriam saber, seja sobre assuntos técnicos que vejo e participo na comunidade do orkut Engenharia de petróleo, do professor da PUC-RJ Luis Rocha (quem eu não conheço pessoalmente).

É de caráter experimental, mas espero que seja bem aceito e conte com a participação de pessoas interessadas em adicionar.
Saudações rubro-negras a todos!!!
-- ----
Luciano da Costa Elias
Eng. Quimico
EQ/UFRJ 92/1
CBS 301/91

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

As empresas que ajudaram a eleger José Sarney


As empresas que ajudaram a eleger José Sarney

Revista EXAME
Cientistas políticos dizem que as empresas que financiam políticos envolvidos em escândalos ajudam a perpetuar a corrupção; veja quem financiou senador
Agência Brasil
O senador José Sarney
 
Por Giseli Cabrini | 03.09.2009 | 10h01

Não é à toa que José Sarney (PMDB-AP) está incrustado no centro do poder há mais de cinco décadas. Apesar de uma pesquisa Datafolha ter mostrado que 74% dos brasileiros defendem que ele deixe o comando do Senado, todos os 11 processos favoráveis a seu afastamento foram arquivados pelo Conselho de Ética. O senador soube construir uma rede de proteção que inclui amigos e apadrinhados espalhados pela máquina pública, políticos que lhe devem favores e até mesmo o presidente Lula - interessado no apoio do PMDB à candidatura de Dilma Rousseff na eleição de 2010. A oposição tentou reverter a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), mas a Corte também negou os recursos. Assim, só novas denúncias contra Sarney poderão extirpá-lo do cargo.

 O que poderia mudar a partir de 2010 é que os partidários de Sarney tenham mais dificuldade para levantar recursos para financiar suas campanhas. Empresas que ajudam políticos corruptos ou envolvidos em escândalos incentivam a perpetuação da corrupção no Brasil, segundo avaliação de cientistas políticos ouvidos pelo Portal EXAME. À medida que a democracia brasileira amadureça, essas empresas poderiam dar um "cartão vermelho" nesses candidatos, deixando de financiar suas campanhas. "As empresas que fazem doações a políticos tentam desvincular essa prática da defesa de interesses particulares e da troca de benefícios. Só que isso ocorre. No Brasil, ninguém faz doações só por civismo. É algo que tem caráter de negócio mesmo", afirma o professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e consultor político, Gaudêncio Torquato.

 Em 2006, José Sarney conseguiu levantar um total de 1,698 milhão de reais para financiar sua campanha - incluindo recursos de empresas e do Comitê Financeiro do PMDB. O grupo de doadores privados inclui a Alusa Engenharia Ltda, a Caemi Mineração e Metalurgia S/A (comprada pela Vale em 2003), a CSN, a Emport Empresa Marítima Portuária Ltda e a Gusa Nordeste S/A. Juntas, elas doaram 560.000 reais a Sarney. O professor da Universidade de Brasília, Lúcio Rennó, diz que essas empresas não podem ser responsabilizadas pelo comportamento do candidato que apoiaram até porque, em 2006, ele ainda "era visto como um político sênior em defesa da governabilidade". Rennó também lembra que não há crime nenhum em fazer doações a candidatos e declará-las à Justiça eleitoral. No entanto, se essas empresas voltarem a financiar Sarney de alguma forma no futuro, estarão assumindo um desvio ético. (Continua)

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Por Giseli Cabrini | 03.09.2009 | 10h01

(2 de 3)

O Portal EXAME procurou as cinco empresas que financiaram a campanha de Sarney e apresentou uma lista com três perguntas: 1) Por que fizeram as doações?; 2) A empresa se arrepende disso; e 3) Faria novas doações a Sarney em campanhas futuras? Todas as empresas procuradas disseram que não iriam se manifestar ou não responderam diretamente as questões. Abaixo o Portal EXAME publica a lista de doadores e os valores repassados a Sarney na campanha de 2006:

 

Caemi Mineração e Metalurgia S/A: A empresa doou 400.000 reais a Sarney em agosto de 2006. Em 2003, a mineradora foi comprada pela Vale da japonesa Mitsui por 426,4 milhões de dólares. Com sede no Rio de Janeiro, a Caemi é a quarta maior do mundo em minério de ferro e também produz caulim - um insumo utilizado para revestimento de papéis. Além disso, indiretamente, por meio da MBR, a Caemi possui participação na MRS Logística, uma grande empresa de ferrovias. Detém também participações na MSL Minerais S. A., produtora de bauxita refratária, e chegou ainda a ter participação na estrutura societária da Quebec Cartier Mining Company (QCM), produtora canadense de minério de ferro e pelotas.

 

Alusa Engenharia Ltda: Doou a Sarney 50.000 reais em setembro de 2006. É uma empresa brasileira de engenharia, especializada em construção e montagem de sistemas de energia e telecomunicações. Com a incorporação da Cavan em 1988, tornou-se a maior indústria de produtos de concreto pré-fabricado para os setores de energia e transportes. A partir de 1994, passou a operar redes de banda larga para distribuição de sinais de TV por assinatura, internet em alta velocidade e serviços agregados de transmissão de dados e imagem. Nas concessões da área de energia, o grupo focou os negócios na operação de linhas de transmissão de alta tensão, vencendo licitações e leilões público e, criando as novas empresas transmissoras de energia por meio do controle integral ou em sociedade com outras organizações do setor. O grupo tem participações no exterior e adquiriu, via sistema de concessão e com sócios brasileiros, o direito de construir e operar uma linha de transmissão no Chile. Diversificando sua atuação na área de energia, o grupo planeja investir em geração de energia por meio de leilões públicos para a construção e operação de usinas hidrelétricas. (Continua)

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(3 de 3)

 

Gusa Nordeste: Em agosto de 2006, doou 50.000 reais a Sarney. Surgiu em 1990 quando o Grupo Ferroeste Industrial adquiriu um projeto da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) que previa a instalação de uma siderúrgica em Açailândia (MA). As operações foram iniciadas em 1993. Com capacidade para produzir 360 mil toneladas/ano, a unidade dedica-se, exclusivamente, à exportação atendendo principalmente os mercados norte-americano e asiático. Recentemente, a Gusa Nordeste lançou a pedra fundamental da primeira unidade produtora de aço do Maranhão. Apenas na primeira fase do projeto, vão ser investidos 300 milhões de reais. Parte dos recursos será financiada via Banco do Nordeste. O projeto da etapa inicial da Aciaria da Gusa Nordeste S/A prevê a produção de 500 mil toneladas/ano de tarugo de aço, um semiacabado utilizado como matéria-prima para a laminação de aços longos.

 

Emport Empresa Marítima Portuária Ltda: Doou 20.000 reais em agosto de 2006. É uma das empresas do Grupo Brasbunker. Fundada em 2000 para o transporte de água potável, a empresa alterou o foco. A Emport atualmente presta serviços à coligada Hidroclean operando embarcações dedicadas ao monitoramento ambiental, resposta a emergências e apoio a navios de coleta de dados sísmicos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Texto excelente

Mais um texto sensacional da fonte respeitadíssima e amigo: Maurício Santos.

Nada a ver com o Petróleo, mas vale a pena registrar e ler.

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CONCURSO MUNDIAL DE REDAÇÃO (não deixe de ler, esta vale a pena!!!!)

 

 BRASILEIRA GANHA CONCURSO MUNDIAL DE REDAÇÃO

   Clarice Zeitel Vianna Silva, 26 anos, estudante de direito.
 VENCE CONCURSO MUNDIAL DE REDAÇÃO.
 Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para
 professores.
 Isso é o que eu chamo de jeito mágico de juntar palavras simples para
 formar belas frases.


 REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000
 PARTICIPANTES
 Tema: 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
 Por Clarice Zeitel Vianna Silva
 UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ
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    PÁTRIA MADRASTA VIL

 Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. ..
 Exagero de escassez... Contraditórios? ?
 Então aí está!
O novo nome do nosso país!
Não pode haver sinônimo melhor
 para BRASIL.

 Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a
 abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de
 responsabilidade.
 O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente
 sistematizada - de contradições.
 Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que
 não é gentil e, muito menos, mãe.
 Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta
 vil.

 A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo,
 um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
 E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que
 me restaria a liberdade apenas para morrer de fome.
 Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um
 verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que
 contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me
 adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de
 oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha
 voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha
 educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a
 outra... Sem nenhuma contradição!
 É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que
 quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam
 hipócritas, mudanças que transformem!
 A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às
 vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar.
 E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela
 ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser
 cidadão.
 Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade:
 nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do
 Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão
 confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do
 que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas
 estão elas preparadas para isso?
 Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de
 dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa
 acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
 Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe
 que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se
 posiciona?

 Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente,
 a um posicionamento perante o mundo como um todo.
 Sem egoísmo. Cada um por todos...
 Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas.
 Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de
 uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído?
 Como gente.... Ou como bicho?

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 Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina
 faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil
 estudantes universitários. Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um
 prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
 Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a
 desigualdade' .

 A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num
 livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está
 disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Declaração do Presidente da Costa Rica (ESPETACULAR!)


 COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO: Sei que não tem nada a ver com óleo e gás, mas gostei tanto e faz todo o sentido, principalmente o que grifei, que vale a pena ser divulgado!! Infelizmente, não conferi a origem da informação, mas a minha fonte (grande amigo da perfuração Maurício Santos) é de alto grau de confiabilidade e inteligência!

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DEPOIMENTO DO PRESIDENTE DA COSTA RICA, QUE MERECE SER LIDO E REFLETIDO

.........................................................................................
"ALGO HICIMOS MAL"



Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica  na Cúpula das Américas em
Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009:

"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos
se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe
coisas ou para reclamar coisas.
Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados,
presentes e futuros.
Não creio que isso seja de todo justo.

Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes de que os
Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras
universidades desse país.
Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até
1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais:
todos eram pobres.

Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse
vagão:
Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a
Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos
conta.
Certamente perdemos a oportunidade.

Há também uma diferença muito grande.
Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos,
compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem
português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade
sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos
que chegaram aos Estados Unidos.

Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal.
Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da
Coréia do Sul.
Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje
Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por
habitante.
Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos.

Que fizemos errado?
Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal.
Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos.
Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos
países asiáticos.
Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor
educação do mundo, similar a dos europeus.
De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em
alguns países, só um
termina esse nível secundário.
Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a
média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.

Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não
é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das
pessoas mais ricas dos nossos países.
Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.


Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão
latino-americano.
Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um
latino-americano.
Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.

No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e
que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o
que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores
equivocado.
Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para
aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo
"num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia"
e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados.

*Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000*
milhões em armas e soldados.
Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo?
Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita
razão, é a falta de educação;
é o analfabetismo;
é que não gastamos na saúde de nosso povo;
que não criamos a infra-estruturar necessária, os caminhos, as estradas, os
portos, os aeroportos;
que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do
meio ambiente;
é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente;
é produto, entre muitas outras coisas, certamente,
de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.

Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos
nos sessenta, setenta ou oitenta.
Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de
muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou.
Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que
os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os
historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não
dos latino-americanos.
E eu, lamentavelmente, concordo com eles.
Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos
discutindo sobre todos os "ismos"
(qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo,
neoliberalismo, socialcristianismo...)
os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do
século XX,
que é o *pragmatismo*.
Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura
e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios  vizinhos
estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse
aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha:
"Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco
ou negro, só o que me interessa é que cace ratos".
E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que
"a verdade é que enriquecer é glorioso".
E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou
13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo
sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.

A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos.
Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74
anos.
Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que
temos que fazer.

Muchas gracias."
-------------------------
COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO: 300 milhoes fora da miséria já acabaria com a miséria da Am.Latina inteira!!! e o que fizeram eles que os latinos não fizeram? permitiram o crescimento, dedicaram-se à infra-estrutura... dedicaram-se a gerar riquezas e a crescer... a desenvolver tecnologias e/ou copiá-las. Paremos de buscar uma ideologia... não precisamos de ideologia para viver! (contrariando o poeta-músico)!! Precisamos de trabalho e dedicação.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Consulta Pública MEC


From: Alexandre Leiras Gomes [mailto:aleiras@eq.ufrj.br]
Sent: Saturday, July 11, 2009 8:33 AM
Subject: Consulta Pública MEC

 

Prezado(a) Amigo, bom dia.

 

Como é do conhecimento de todos, o MEC colocou em consulta pública em 29/06 uma proposta de alteração das denominações dos cursos de engenharia.  Esta proposta nos afeta diretamente pois propõe extinguir a incipiente denominação de engenharia de petróleo, substituindo-a por: engenharia de minas ou engenharia química ou engenharia mecânica.  Uma análise breve das referências curriculares destes cursos (disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13812&Itemid=995) permite verificar que o que entendemos por engenharia de petróleo não está contemplado em nenhum destes cursos.
Estamos fazendo vários contatos de forma a tentar barrar esta proposta, mas como a consulta pública é na forma de resposta em formulário on-line, fizemos o preenchimento de uma versão padrão do mesmo, com o quantitativo de caracteres possíveis, a qual enviamos em anexo.

Desta forma, caso concordem com o texto, solicitamos que o formulário seja preenchido do tipo "copiar" e "colar" nos respectivos campos, juntamente com sua identificação (não dura mais que 2 minutos).

O caminho é: http://portal.mec.gov.br/formularios/sistema_integrado/index.php/contribuicoes-referenciais-nacionais

Esta consulta é à sociedade, logo quanto mais respostas, mais forte fica a nossa posição.


Grato pela atenção.

 

Atenciosamente,

 

Alexandre Leiras
--
====================================
Alexandre Leiras Gomes
Engenheiro Químico, D.Sc.
Coordenador do Curso Engenharia de Petróleo
Departamento de Processos Orgânicos
Escola de Química da UFRJ
Tel: (21) 2562-7574
http://lattes.cnpq.br/1292921100356049
====================================
ANEXO:

 

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO – MEC

Secretaria de Educação SUPERIOR – SESu

Projeto: Referenciais Nacionais de Graduação - Engenharias

 

Contribuições aos Referenciais Nacionais de Engenharia

1. Identificação do Proponente (Campos de preenchimento obrigatório*)

*Nome completo:

 

 

 

*Profissão/Atividade:

Instituição de vínculo:

 

 

*Cidade:

*UF:

 

 

*Telefone:

*Correio eletrônico:

Sítio eletrônico:

 

 

 

 

2. CONTRIBUIÇÃO aO DESCRITIVO DE CURSO

2.1 Tipo de alteração:

 

[ X ] Denominação do curso

[ X ] Perfil do egresso

[ X ] Temas abordados na formação

[ X ] Áreas de atuação

[ X ] Infra-estrutura recomendada

 

2.3 Detalhamento da alteração ao descritivo de curso

2.3.1. Denominação do curso (máximo de 800 caracteres)

ENGENHARIA DE PETRÓLEO

2.3.2. Perfil do egresso: (máximo de 800 caracteres)

 

O termo ENGENHARIA DE PETRÓLEO denota a área da engenharia que se preocupa com O desenvolvimento das acumulações de óleo e gás descobertas durante a fase de exploração de um campo petrolífero, com as atividades que vão desde a perfuração de poços até o processamento primário do petróleo.

O ENGENHEIRO DE PETRÓLEO apresenta uma formação profissional com conhecimentos politécnicos, nas áreas de geo-engenharia de reservatórios, engenharia de poço, processo de produção, tecnologia offshore, economia do petróleo e meio ambiente.

 

2.3.3. Temas abordados na formação: (máximo de 800 caracteres)

 

Atendidos os conteúdos básicos da Engenharia, os conteúdos profissionalizantes são: Geo-Eng de Reservatórios (Análise de Bacias, Geologia do Petróleo, Estudo Geológico de Campo, Eng Reservatórios, Avaliação de Formações, Mod de Bacias, Simulação e Modelagem de Reservatórios, Métodos de Recuperação); Eng de Poço (Perfuração de Poços, Completação de Poços, Fluidos de Perfuração); Processo de Produção (Processamento de Petróleo, Termodinâmica, Mecânica dos Fluidos, Transferência de Calor, Escoamento Multifásico, Instalações de Produção, Elevação Artificial); Explotação no Mar (Comportamento Hidrodinâmico de Plataformas, Comportamento Estrutural de Sistemas Oceânicos, Sistemas Submarinos); Gestão e Economia (Avaliação Econômica de Projetos, Regulação e Legislação, Gestão de Operações em E&P).

 

2.3.4. Áreas de atuação: (máximo de 800 caracteres)

 

O ENGENHEIRO DE PETRÓLEO formado estará apto a trabalhar na indústria de petróleo, particularmente naqueles ramos relacionados à exploração e produção, bem como a integrar equipes multidisciplinares responsáveis pelo projeto de desenvolvimento de campos de petróleo em terra e no mar, podendo atuar também em Agências Governamentais, centros de pesquisa, ensino e na pós-graduação.

 

2.3.5. Infra-estrutura recomendada: (máximo de 800 caracteres)

 

Laboratórios de geologia, geofísica, petrologia e sedimentologia; Laboratórios de química do petróleo; Laboratórios de fluidos de perfuração e completação de poços; Laboratórios de simulação de reservatórios; Laboratórios de tecnologias de poço; Laboratório de estruturas oceânicas.

 


 

3. PROPOSTA DE INCLUSÃO DE NOVO CURSO

3.1. Curso proposto:

ENGENHARIA DE PETRÓLEO

3.2. Justificativa da proposta de inclusão: (máximo de 2000 caracteres)

A indústria do petróleo se caracteriza por ser uma indústria intensiva em tecnologia, se apoiando fortemente no desenvolvimento científico. A exploração e a produção de petróleo, em condições cada vez mais adversas, demandam o desenvolvimento de pesquisas avançadas e a formação de recursos humanos qualificados, tanto a nível mundial quanto a nível nacional. O termo ENGENHARIA DE PETRÓLEO denota a área da engenharia que se preocupa com o desenvolvimento das acumulações de óleo e gás descobertas durante a fase de exploração de um campo petrolífero, com as atividades que vão desde a perfuração de poços até o processamento primário do petróleo, englobando a perfuração de poços e sistemas de produção. O termo já está consagrado e em uso pelo menos há 50 anos (A SPE, Society of Petroleum Engineering foi fundada em 1957 e hoje congrega mais de 70.000 profissionais no mundo) e já é utilizado em diversos países. O Curso de ENGENHARIA DE PETRÓLEO visa formar um eng com uma sólida formação técnica, científica e profissional que o capacite a absorver e desenvolver novas tecnologias, estimulando a sua atuação crítica e criativa na identificação e resolução de problemas. O ENGENHEIRO DE PETRÓLEO formado está apto a trabalhar na indústria de petróleo, particularmente naqueles ramos relacionados à exploração e produção, bem como a integrar equipes multidisciplinares responsáveis pelo projeto de desenvolvimento de campos de petróleo. A profissão é reconhecida pelo CONFEA, através da Resolução - nº 218, de 29 junho de 1973, publicado no D.O.U., Brasília, DF, 31 jul. 1973, Art. 16.  Desta forma, pode-se observar que as atividades desempenhadas por um ENGENHEIRO DE PETRÓLEO demandam perfis e competências específicas, que não fazem parte de NENHUM curso de eng de minas/química/mecânica. Após a flexibilização da indústria do petróleo em 1997, a demanda por profissionais com uma formação sólida e especializada aumentou, levando a criação de novos cursos (36 de ENGENHARIA DE PETRÓLEO).

 

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mercado aquecido para técnicos e executivos

Mercado aquecido para técnicos e executivos no setor de óleo e gás

Com investimentos bilionários e projetos de longo prazo, que em muitos casos chegam a 20 anos, o setor de óleo e gás, especialmente no Brasil, não se abalou com a crise e nem com as variações no preço do petróleo. De acordo com os especialistas ouvidos pelo Valor, o mercado continuará aquecido por muito tempo, o que faz crescer a carência de profissionais qualificados para cargos do alto escalão e de média gerência. Um problema que já considerado global na área.

Por se tratarem em sua grande maioria de multinacionais, as empresas acabam deslocando parte de sua força de trabalho conforme o necessário e é cada vez mais comum a "importação" e a "exportação" de talentos, inclusive para dar e receber treinamento. "Recrutamos muitos profissionais de países como Angola, Noruega e Estados Unidos. No geral, eles detém grande conhecimento e experiência", afirma Fabiano Kawano, responsável pela divisão de óleo e gás da empresa de recrutamento Robert Half .

Buscar gente no mercado brasileiro e na concorrência, no entanto, é inevitável. Essa demanda atrai pessoas de outros setores, como engenheiros mecânicos ou de projetos, interessadas na alta remuneração e nos bônus polpudos da indústria do petróleo. "A inflação de salários diminuiu recentemente, mas o setor de óleo e gás é um dos poucos onde ainda vemos executivos mudando de empresa com aumentos de 30% até 100%", diz Kawano.

De acordo com Ricardo Guedes, diretor da Michael Page no Rio de Janeiro, gerentes técnicos na área de óleo e gás ganham entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, dependendo da especialização. Os trabalhos mais comuns na área são chamados de "upstream", atividades de exploração, perfuração e produção; "downstream", transporte, distribuição e comercialização; equipamentos e construção. As formações mais comuns nesse setor são engenharia e geociências.

Quem atua nas plataformas em alto-mar (offshore) geralmente segue a escala de 14 dias embarcado e 14 dias em terra.

A movimentação no mercado de trabalho, segundo Guedes acontece paralelamente à Petrobras, já que a estatal recruta por meio de concurso público, possui uma infraestrutura sólida e muitos recursos para capacitar internamente e reter as peças-chave. "Para operar, a Petrobras movimenta uma cadeia complexa, terceirizando tarefas e fazendo parcerias com fornecedores e outras companhias. Estas, assim como alguns grupos globais, são os que nos procuram", afirma. O setor representa 30% do faturamento do escritório da Michael Page.

De olho nesse mercado, a Hays, empresa global de recrutamento, acaba de inaugurar sua divisão de óleo e gás no Rio de Janeiro para abranger toda a América do Sul e estima que, dentro de um ano, a área também responda por 30% dos negócios do escritório.

"O Brasil é um excelente lugar para se estar atualmente quando se fala de óleo e gás. Atuei em mercados mais maduros e vejo no país um potencial de crescimento enorme. Além das boas perspectivas para o futuro, é importante ressaltar que há muito para ser feito desde agora, pois vários projetos já estão em andamento", afirma Matt Underhill, diretor global da Hays para a divisão de óleo e gás.

O braço nacional da Hays Oil & Gas ficará a cargo de Gustavo Costa, que comanda os negócios da empresa no Rio de Janeiro. "O recrutamento nessa área é muito exigente, pois lidamos com posições estratégicas e técnicas. O processo é um pouco mais lento e o encaixe precisa ser perfeito", diz Costa.

A empresa abriu uma linha específica para óleo e gás internacionalmente há apenas três anos e possui um banco de dados para integrar talentos de todas as suas bases - Inglaterra, Austrália, Cingapura, Canadá, Emirados Árabes Unidos e, agora, Brasil. Para Underhill, a criação de empregos no segmento não está diretamente ligada ao número de habitantes de um país, mas ao tamanho de suas reservas petrolíferas e dos investimentos que elas recebem.

Ele lembra que, 20 anos atrás, o mercado era dominado por engenheiros britânicos e americanos. Hoje, as empresas apostam mais na força de trabalho local. Mesmo assim, buscar e enviar profissionais para outros continentes é da natureza desse negócio. "Nenhum país do mundo consegue atender todas as suas necessidades apenas com talentos domésticos. Disponibilidade para trabalhar em operações internacionais é fundamental", afirma.

Na opinião dos recrutadores, a deficiência em idiomas é uma das maiores barreiras para que os brasileiros consigam preencher as vagas e evoluir na carreira. "A dificuldade é ainda maior para os profissionais com mais de 35 anos de idade. Muitos ficam estagnados no cargo ou não podem aceitar propostas externas porque não conseguem se reportar à matriz no exterior ou fazer parte de uma equipe com indivíduos de diversas culturas", diz Fabiano Kawano, da Robert Half.

A analista de recursos humanos Rita Martins concorda. Ela é responsável pelo recrutamento e seleção no Brasil da National Oilwell Varco (NOV), empresa de origem norueguesa que atende a indústria petrolífera inspecionando e fabricando equipamentos offshore e que emprega 600 funcionários no Brasil.

Atualmente, a dificuldade da companhia é preencher vagas para engenheiros mecânicos com conhecimentos em hidráulica. "Os candidatos que se encaixam no perfil não falam inglês e os que falam não têm experiência na função. Situações como essa são recorrentes", diz.

A NOV investe em treinamento interno com uma escola técnica própria, na qual traz profissionais mais experientes da matriz e de filiais de outros países para ensinar. Além disso, manda colaboradores brasileiros para se capacitarem no exterior, reforçando ainda mais a importância do domínio da língua inglesa.

Segundo Rita, fazer cursos de aperfeiçoamento fora do país é uma necessidade, mas também uma forma de valorizar e segurar os talentos. "Esse é um mercado extremamente competitivo e o assédio da concorrência é grande. É preciso ter programas bem estabelecidos de bônus, retenção e planejamento de carreira para não perder os melhores", afirma.

Gerente de interface no Brasil da multinacional holandesa SBM Offshore N.V., Rafael Torres tem experiência e sólida formação no setor, o que desperta interesse em diversas companhias. O executivo trabalhou cinco anos como terceirizado na Petrobras e migrou posteriormente para o ramo de siderurgia, onde ficou por mais dois.

Com um MBA na área de óleo e gás e outro em gerenciamento de projetos no currículo, porém, ele passou a receber diversas ofertas de empresas petrolíferas e há seis meses está na SBM. "Mesmo empregado continuam chegando propostas, mas não não é só a questão financeira que deve ser levada em conta. Tenho um objetivo, um plano de carreira, e não quero ficar pulando de emprego."

Com experiência internacional de três anos na África e tendo ocupado cargos diversos na Halliburton, Lúcio Pedroso está há 10 anos na área e também recebe convites de emprego regularmente. Hoje, responsável pelo inventário de plataformas brasileiras da multinacional americana Pride International, ele conta que determinadas funções são tão difíceis de serem preenchidas que as empresas oferecem bônus e recompensas em dinheiro para funcionários que indicarem candidatos no mercado. "As tecnologias usadas na nossa área são específicas e muita coisa só se aprende na prática", afirma.

Pedroso revela que, assim como a Pride, outras empresas de offshore estão trazendo novas plataformas para o Brasil, o que causa uma movimentação ainda maior no mercado. "São necessárias no mínimo cem pessoas para fazer cada plataforma funcionar e, de acordo com a legislação, metade da tripulação deve ser brasileira", diz.(Fonte: valor Econômico/Rafael Sigollo, de São Paulo)

terça-feira, 26 de maio de 2009

UFRJ inaugura laboratório voltado ao pré-sal

Rio de Janeiro - A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou na semana passada, em parceria com a Petrobras, um laboratório para testar a corrosão e a soldagem em equipamentos e materiais que serão utilizados na exploração do petróleo da camada pré-sal. O Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem teve investimento de R$ 40 milhões da Petrobras e do Fundo CT-Petro, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou que o novo laboratório terá papel essencial nos testes de exploração do petróleo da camada pré-sal. Os testes de extração no megacampo petrolífero de Tupi, que tem grande reserva de petróleo na camada geológica, começaram oficialmente na última sexta-feira.

O laboratório, que funcionará no Programa de Pós-Graduação em Engenharia da UFRJ (Coppe), é um dos mais avançados do mundo nessa área, segundo Carlos Tadeu Fraga, gerente executivo do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), parceiro da Coppe no projeto. "Semelhante a este laboratório, não existe nenhuma instalação no mundo, mesmo no Hemisfério Norte. É um laboratório que vai nos permitir simular o comportamento de diversos materiais submetidos a condições diferentes de pressão, temperatura, presença de fluidos corrosi-vos", afirma Fraga. "Seria possível simular, em um tempo curto, o comportamento desse material ao longo de toda a vida produtiva de um poço ou de uma instalação", acrescentou o especialista do Cenpes.

Fraga acredita que o laboratório não só beneficiará a Petrobras como também contribuirá para o desenvolvimento do conhecimento nacional sobre o assunto. De acordo com a Coppe, o laboratório, na verdade, é a junção de três laboratórios menores, que funcionavam separadamente na UFRJ. Segundo o coordenador de Tecnologia e Inovação da Coppe, Segen Stefen, o local não servirá apenas para fazer testes em materiais, mas também será usado para formar pessoal e desenvolver novas pesquisas.

Ainda segundo a Coppe, um dos principais problemas para a indústria do petróleo é a corrosão pelo componente H2S, que danifica os equipamentos usados na extração do óleo. Na camada pré-sal, o problema é ainda maior.(Fonte: Gazeta Mercantil/Agência Brasil)

Petróleo: um fim de festa (para refletir)

Por Giuseppe Bacoccoli - Artigo MBCursos: Petróleo: um fim de festa (para refletir)

Petróleo: um fim de festa (para refletir)

Por Giuseppe Bacoccoli

Geólogo de Petróleo – Pesquisador Visitante (COPPE/UFRJ)

Rio de Janeiro, maio de 2009 

                Através da História, a Indústria do Petróleo foi marcada por um fluxo constante e transitório de grandes lucros e subseqüentes grandes perdas. No artigo a seguir, nosso professor Giuseppe Bacoccoli traça um panorama sobre a triste história do Mar do Norte, levando-nos a refletir que, se hoje é o norte que lamenta o fim da era do petróleo, amanhã poderá muito bem ser o sul. Que este futuro seja certo, não podemos afirmar. Mas a reflexão se faz necessária para que os mesmos erros não sejam repetidos.
               
Ao contrário do que vinha acontecendo antigamente, há muitos anos, ninguém mais informa sobre novas descobertas. Até os geólogos, sempre otimistas, não contam mais com eventuais agradáveis surpresas, tanto no pré quanto no pós-sal. De fato, todos os cantos daquela extensa província petrolífera já haviam sido vasculhados em exaustivos levantamentos sísmicos e/ou com outros métodos exploratórios. Muitos poços de exploração e de desenvolvimento foram perfurados por diversos operadores e importantes campos produtores foram descobertos, no tempo das vacas gordas, no passado. Agora, no entanto, toda aquela região sedimentar costuma ser considerada como exploratoriamente madura. No jargão dos geólogos, isto significa que, ali, a maioria das jazidas de petróleo e gás natural já teria sido encontrada, restando poucas chances de ainda se descobrirem acumulações de algum porte. "Melhor trabalhar em outras áreas" – comentam os geólogos mais preparados e experientes – "Ainda mais se for possível encontrar alhures áreas de fronteira, pouco exploradas. Quem sabe, em algum lugar do mundo..." Além disto, a presente crise econômica e o atual preço do petróleo pouco contribuem para a retomada dos trabalhos exploratórios. 

Antigas enormes plataformas marítimas de produção – verdadeiros monumentos de aço implantados por toda a parte offshore, ícones emblemáticos da tecnologia e do empreendedorismo da vigorosa indústria do petróleo do passado – vem sendo desativadas (decomissioned) de tempos em tempos. Sempre que os custos operacionais destas plataformas superam as receitas oriundas da produção, os operadores decidem pelo seu abandono. E isto vem ocorrendo com muita freqüência. As grandes estruturas são desmontadas, seus equipamentos viram sucata, numerosas equipes de trabalhadores experientes acabam perdendo o emprego e, mais do que isto, perdendo o orgulho pelo que faziam. Muitos profissionais, depois de procurar sem sucesso outra atividade, mesmo no exterior, acabam abandonando o setor e trabalhando em ramos diferentes. As plataformas são totalmente arrasadas e desaparecem sem deixar sinais de sua presença, na superfície ou no fundo do mar, para não oferecer riscos à pesca ou à navegação. Para conduzir as caras operações de arrasamento foram até formalizados acordos cooperativos entre os diversos operadores, compartilhando todo o tipo de recursos necessários. No mar, onde havia plataformas iluminadas, flares acesos, ruidosas turmas de trabalhadores, barcos e helicópteros na intensa faina de apoio logístico, agora apenas as ondas e o vento. O silêncio é apenas eventualmente quebrado pela passagem de um dos poucos barcos pesqueiros. 

A produção de petróleo de toda a província já foi superior aos três milhões de barris por dia e destinava-se, em boa parte à exportação. Com a prática dos preços elevados do petróleo fazia a fortuna dos felizes operadores. Hoje, é de pouco mais de dois milhões de barris por dia e, ao persistirem as elevadas taxas de decréscimo, em breve será insuficiente para atender até mesmo ao consumo do país que deverá retornar a importar petróleo. A vazão dos velhos reservatórios já muito exauridos e "depletados" continua caindo, inexoravelmente, com índices superiores aos cinco por cento ao ano. As reservas também diminuem, face aos volumes produzidos e à falta de novas descobertas.  

"Não nos resta mais nada a fazer" – lamentam com tristeza os engenheiros de reservatório. – "Já aplicamos, quando possível, métodos de recuperação secundária e terciária. Agora só falta tirar o que resta do petróleo, até quando for técnica e economicamente viável. Mas, a julgar pela presente relação R/P (Reserva/Produção), em menos de dez anos todo o petróleo terá sido produzido. Fim de festa...".  

"Estes fatos são notórios, conhecidos e bastante previsíveis, pelo menos entre os técnicos e profissionais da indústria do petróleo" – ressaltam os gerentes. Mesmo assim, a preocupação com o futuro toma conta de todos, tanto na grande empresa estatal, quanto nos numerosos operadores, muitos privados, nacionais e internacionais, que trabalham em parcerias com a estatal, ou através de contratos firmados no passado. "Hoje é difícil encontrar novos interessados em investir aqui". – afirma uma autoridade do governo – "Antigamente, todos queriam algum tipo de concessão. Hoje é bem mais complicado, neste clima de fim de festa".  

Não menos pessimistas são os muitos fornecedores de bens e serviços para as atividades de E&P (Exploração e Produção) de petróleo, vendo seus contratos minguando ano a ano. "Nós mesmos desenvolvemos a tecnologia para produzir este petróleo". – diz um fornecedor – "Agora só utilizando em outra região do mundo com melhores perspectivas". 

Nas cidades portuárias costeiras, que durante décadas serviram como bases de apoio logístico e operacional às atividades de extração de petróleo offshore, o clima também é de fim de festa. Com a chegada do petróleo, estas pequenas comunidades, então dedicadas apenas à pesca, à navegação, à agricultura e ao turismo, viveram dias de glória com o progresso da indústria impulsionando seu significativo crescimento. Além da maior arrecadação de impostos e tributos, o petróleo trouxe consigo o estabelecimento das grandes bases de apoio, a proliferação dos estaleiros, a multiplicação dos fornecedores de bens e serviços e, principalmente, a vinda de numerosos trabalhadores, formando uma multidão de bem remunerados recém-chegados. Por sua vez, estes novos moradores precisavam de tudo, de casa a comércio, de serviços de subsistência a serviços públicos, de hotéis a hospitais, de escolas a clubes. Assim todas as atividades cresceram, transformando velhas vilas costeiras quase desconhecidas em modernas e industrializadas cidades portuárias, exibindo invejáveis índices de bem estar.  

Agora, vive-se o ciclo oposto com o encolhimento destas comunidades. À falta de oportunidades, muitos moradores, especialmente os mais novos, passaram a migrar constantemente para outros locais no país ou no exterior. Com dificuldade, as cidades tentam retomar as velhas atividades, anteriores ao petróleo, ou iniciar outras na obstinada luta pela sobrevivência através da diversificação e a sustentabilidade. Mesmo assim, todo dia casas comerciais, fábricas e escritórios fecham suas portas, demitem empregados, provocam ondas migratórias e motivam índices negativos de crescimento. Muitos lamentam não ter investido mais – no tempo das vacas gordas do petróleo – em atividades que melhor assegurassem a atual sobrevivência. 

Neste momento, o leitor já confuso e perplexo deverá estar questionando se esta triste história é verdadeira, em que tempo e espaço se posiciona e por que ocuparia agora este espaço de informação. Vamos tentar responder, por partes. 

Apesar de levemente romanceados, todos os fatos que acabam de ser reportados são totalmente verídicos e atuais e estão ocorrendo precisamente agora com a indústria petrolífera offshore da Noruega, no setor correspondente do Mar do Norte. Não seria muito diferente se tratasse do setor britânico, também do Mar do Norte, igualmente em clima de fim de festa. Os dados apresentados constam da BP Statistical Review of World Energy (Junho 2008). 

Julgamos oportuno divulgar estes acontecimentos para que sirvam para uma reflexão sobre o passado, o presente e o possível futuro da indústria brasileira do petróleo, ainda mais após a divulgação das fantásticas reservas no pré-sal e a aparente busca de novos marcos regulatórios, alguns com suposta base no que estaria ocorrendo na Noruega. 

Como podemos verificar, poucas são as atuais semelhanças ou correlações entre o presente momento da província petrolífera produtora das Bacias do Espírito Santo, Campos e Santos, no Brasil, e do setor norueguês (ou britânico), do Mar do Norte. Pelo visto, aqui a festa continua. Creio, no entanto, que devamos desde já procurar construir conscientemente nosso futuro. Vale o exercício! 

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sondas terrestres: Fabricação Brasileira

BrasBauer quer atingir 75% do mercado de sondas terrestres até 2012

Rio de Janeiro ?O grupo brasileiro Brasfond e a empresa alemã Bauer Maschinen GmbH anunciaram oficialmente no Brasil a criação da BrasBauer, joint-venture para a produção de equipamentos de perfuração e produção de poços terrestres petrolíferos no Brasil. Nicola Libano, presidente da Brasfond, abriu o evento com um discurso sobre o acordo, no qual afirmou que até 2012 pretende dominar 75% da produção brasileira de sondas terrestres.

A nova empresa pretende entregar os primeiros equipamentos de produção e perfuração totalmente construídos no Brasil até o fim de 2010. Libano lembrou o recente crescimento das atividades ligadas ao setor, além da proposta do governo federal e da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), por meio do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), de incentivar a indústria nacional e o desenvolvimento tecnológico e humano no país. ?Neste contexto, a Brasfond iniciou seus estudos de viabilidade técnica e econômica para buscar uma empresa estrangeira detentora de alta tecnologia e tradição na fabricação de equipamentos de perfuração. Foi daí que surgiu o convite à Bauer para formarmos a BrasBauer?, esclareceu.

Desafios presentes

Segundo o presidente da companhia alemã, Thomas Bauer ?Nos últimos anos em que temos desenvolvido máquinas para perfuração profunda, limitamo-nos a apenas vender alguns equipamentos para o mercado brasileiro. Estamos extremamente satisfeitos com esta nova empreitada, frisando que a tecnologia oferecida obedece aos parâmetros nacionais e, em especial, da Petrobras.

A pertinência do projeto das companhias Brasfond e Bauer na fabricação de sondas terrestres e na construção de uma nova indústria de fabricação de equipamentos de perfuração e produção de poços de petróleo terrestres foi reafirmada pelo representante da Petrobras e do Prominp, Vitor Lisboa. ?Parcerias como as celebradas hoje são resultado direto da criação do Prominp. Fico feliz de ver como a preocupação do governo federal de incentivar o conteúdo local tem dado resultados concretos?, comentou.

A construção de sondas on-shore no país é uma das maiores necessidades urgentes de companhias como a Petrobras, que tem a previsão de utilização de 145 equipamentos deste tipo (de perfuração e produção) nos próximos dois anos, próprias ou contratadas. A exigência de sondas montadas no Brasil com conteúdo local mínimo de 75% e prazo de atendimento de até dois anos após o início da operação serve para todas as operadoras de petróleo. Na opinião do diretor-presidente da Associação Brasileira dos Perfuradores de Petróleo (Abrapet), José Eduardo Jardim, a política de incentivo do conteúdo nacional só tem a ganhar com o surgimento da BrasBauer. ?Esse projeto que apoiamos aponta um avanço que é irreversível. Os que acompanhamos todos os planos da Brasfond e da Bauer percebemos a seriedade dos pesquisadores e a preocupação de todos em atender as necessidades brasileiras?, resssaltou.(DA REDAÇÃO)